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Vídeo mostra momento em que homem ataca mulheres muçulmanas com socos em shopping do Paraná

Mulheres muçulmanas são agredidas e uma delas tem hijab arrancado em ataque de intolerânci Câmeras de segurança registraram as agressões cometidas por Aug...

Vídeo mostra momento em que homem ataca mulheres muçulmanas com socos em shopping do Paraná
Vídeo mostra momento em que homem ataca mulheres muçulmanas com socos em shopping do Paraná (Foto: Reprodução)

Mulheres muçulmanas são agredidas e uma delas tem hijab arrancado em ataque de intolerânci Câmeras de segurança registraram as agressões cometidas por Augusto César Vieira contra duas mulheres muçulmanas dentro de uma loja em um shopping de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Assista ao vídeo acima. O ataque aconteceu na tarde de quinta-feira (12). O suspeito, de 33 anos, foi contido por seguranças e preso em flagrante por lesão corporal e racismo. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Nas imagens é possível observar o momento em que o homem entra na loja e discute verbalmente com as vítimas. Em seguida, ele ataca uma das mulheres com socos. A outra tenta intervir e ele passa a agredi-la também. Pessoas que estavam no local tentam chamar os seguranças do estabelecimento. As agressões continuam e ele arranca o hijab de uma das vítimas. A peça de vestuário é um véu islâmico usado por algumas mulheres como expressão de fé religiosa. Com a chegada dos seguranças do shopping, o homem ergue os braços, deixa a loja e vai em direção a saída do shopping. Do lado de fora, ele foi parado por testemunhas. As duas mulheres sofreram ferimentos e precisaram de atendimento médico. As duas são estrangeiras, uma de nacionalidade libanesa e outra síria, e fazem parte da comunidade árabe em Foz do Iguaçu. A cidade tem a segunda maior comunidade árabe do Brasil. LEIA TAMBÉM: Violência: Jovem é assassinado após discussão por ficha de fliperama de R$ 5 Cultura: Cantor se torna vocalista de nova formação do Charlie Brown Jr. após tocar covers do grupo por 15 anos Futebol: Torcedor do Santos fica em estado grave após briga com torcedores do Athletico-PR; 35 foram detidos Homem tem histórico de ataques discriminatórios, segundo a polícia Câmeras registraram as agressões cometidas por Augusto César Vieira contra duas mulheres muçulmanas dentro de uma loja em um shopping de Foz do Iguaçu Reprodução Em depoimento, tanto as vítimas quanto testemunhas relataram que o homem proferiu xingamentos de cunho discriminatório. Ele foi levado à Central de Flagrantes da 6ª Subdivisão Policial, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo. Pela legislação brasileira, casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como crime de racismo. A lei prevê punição para práticas discriminatórias motivadas por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Nesses casos, a pena varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. O crime é inafiançável e não prescreve, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o delegado Geraldo Evangelista, o suspeito tem histórico de comportamento discriminatório, com registros anteriores de agressões e xingamentos dentro da mesquita da cidade, onde teria interrompido celebrações religiosas. O homem se envolveu em pelo menos três ocorrências relacionadas a discriminação, em 2018, 2024 e 2025. Nesta sexta-feira (13), Augusto passou por audiência de custódia, na qual a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva. "A contenção cautelar do indiciado se faz necessária para a garantia da ordem pública, pois o crime em tese praticado revela gravidade concreta: numa tarde, num shopping center, o flagrado, um homem, se sente confortável para entrar numa loja, agredir desmedidamente duas mulheres não só fisicamente, como, também, em razão de sua origem e religião". A juíza destacou ainda que o crime aconteceu em "local de grande movimento e em que sabidamente há inúmeras câmeras de vigilância; e, mesmo assim, o preso, num ato completamente injustificável, invadiu uma loja e agrediu duas muçulmanas que ali estavam. Veja-se que ambas estavam com o véu, símbolo da religião para várias mulheres, o que facilita a sua identificação por quem não é da comunidade", diz a decisão. O que diz o agressor Em depoimento à polícia, Augusto César Vieira afirmou que está tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), que usa medicações e que tem problemas psiquiátricos. A família de Augusto apresentou um relatório psicológico, assinado por uma psicóloga, que afirma que em "situações de estresse ou frustração, observa-se intensificação de pensamentos de conteúdo persecutório, aumento de ansiedade e impulsividade, podendo ocorrer comportamentos agressivos durante episódios de crise" por parte do paciente. Conforme a Justiça, a defesa de Augusto anexou aos autos do processo um laudo que atesta que o agressor apresenta autismo leve a moderado, e que faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico. No entanto, conforme a decisão que manteve Augusto preso, o próprio médico atesta que Augusto abandonou o tratamento medicamentoso em janeiro. "O autismo não é desculpa para o que aconteceu. O próprio médico psiquiatra atesta que houve interrupção unilateral do tratamento, de modo que a comunidade iguaçuense não pode ficar a mercê da boa vontade do flagrado em se medicar. Aliás, seu histórico de perseguição aos que professam o islamismo remonta a 2018, como acima mencionado; e, o que aconteceu ontem, a truculência empregada contra as vítimas, não autoriza que o quadro clínico de Augusto César, neste momento, retire-o da prisão", diz o documento. O advogado que acompanhou Augusto no depoimento à polícia afirmou que não está habilitado nos autos do processo. Foz do Iguaçu possui a segunda maior comunidade árabe do Brasil Reprodução RPC Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná