cover
Tocando Agora:

Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís

Vazamento químico obriga retirada de 11 famílias na Vila Maranhão, em São Luís 11 famílias da Vila Maranhão, na zona rural de São Luís, tiveram que de...

Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís
Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís (Foto: Reprodução)

Vazamento químico obriga retirada de 11 famílias na Vila Maranhão, em São Luís 11 famílias da Vila Maranhão, na zona rural de São Luís, tiveram que deixar suas casas após um vazamento irregular de fertilizantes de uma empresa instalada no bairro provocar problemas de saúde e forte odor químico na região. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) investiga a contaminação e fará uma nova vistoria nesta terça-feira (10). Moradores relatam coceiras, piora de doenças respiratórias e desconforto constante desde a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns no bairro. “Meu sobrinho é asmático. Aí, por conta do fedor que ele está inalando… claro que prejudicou a asma dele. Hoje ele se encontra num leito de UTI, o que não é fácil para uma mãe. Não é fácil para ninguém”, disse a dona de casa Lucineide Catanhede. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís Reprodução/TV Mirante Ao todo, 71 famílias afirmam sofrer com o despejo irregular de produtos químicos desde 2022, após a instalação da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns na comunidade. A situação se agravou em 2 de fevereiro deste ano, quando um vazamento de sulfato de amônia e ureia atingiu duas ruas do bairro. Esses produtos, usados como fertilizantes, liberam partículas e gases tóxicos quando lançados de forma irregular no ambiente, aumentando os riscos de contaminação. "Esses fertilizantes podem gerar resíduos gasosos, gases que, ao serem inalados, promovem problemas de saúde. Se ingeridos, ou com o contato permanente, podem gerar problemas de pele. Com o contato prolongado, podem ocorrer processos, inclusive de infecção, que podem gerar, posteriormente, câncer”, disse o geógrafo Marcelino Farias. A empresa Valen Fertilizantes e Armazéns informou que não vai se pronunciar sobre o caso. Vegetação manchada e água esverdeada Pequenos agricultores relataram perda na produção após contaminação na água Reprodução/TV Mirante Moradores afirmam que os sinais de poluição aumentaram na área, com poeira constante, manchas na vegetação e água esverdeada perto das casas. Pequenos agricultores também relatam perda na produção. “Essa poluição não está mais dando fruto nenhum no quintal. Abacaxi que eu plantava aqui já não deu mais. Quando nasce, ele é seco, murcho e não presta para nada. Os peixes no quintal — que eu tenho um tanquezinho de peixe no quintal — morreram 300 e poucos nesse mês passado", disse o pescador Fábio Rogério. Ação do Ministério Público e vistorias O caso chegou ao Ministério Público. A Secretaria de Meio Ambiente vistoriou a área e coletou amostras de água, cujos resultados devem ser divulgados nesta semana. Relatório elaborado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) aponta que o vazamento teve origem em maquinários recém-adquiridos pela empresa, armazenados sem proteção adequada. Com as chuvas, o material tóxico foi arrastado para fora do terreno e atingiu áreas da comunidade vizinha. A empresa foi notificada a entregar documentos pendentes em até 48 horas, prazo já encerrado. A intervenção foi embargada por riscos à segurança. Também foi identificado que a canaleta de drenagem de águas pluviais não possuía sistema de tratamento, funcionando como via direta de poluição ambiental. Decisão judicial e retirada das famílias Na última semana, a Justiça determinou a retirada de todas as famílias da área de risco por ameaça à segurança. A empresa deverá fornecer água potável, equipe médica para exames toxicológicos e retirar as máquinas contaminadas. A Defesa Civil retirou as famílias da Rua Nossa Senhora de Fátima após relatos de mal-estar e forte odor químico. Elas devem ficar por pelo menos 30 dias em hotéis pagos pela empresa, enquanto o plano de contingência é apresentado. A delimitação da área de risco ficará sob responsabilidade da Defesa Civil e da Sema. A moradora Andrelina conta que precisou sair às pressas da casa onde viveu a vida inteira. “Justamente foi a hora que a água correu, que a gente foi obrigado a sair das nossas casas correndo para não pegar, que estava sufocando a gente. Aí a gente teve que correr para cá pra cima imediatamente, porque a gente já estava se sentindo sufocado”, disse. A empresa também deverá fornecer água potável adequada ao consumo humano no prazo de 24 horas. Em até cinco dias, terá de disponibilizar equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e assistentes sociais, além de custear exames clínicos e toxicológicos das pessoas potencialmente expostas. O maquinário contaminado deverá ser retirado da área em até 24 horas, e barreiras físicas, como lonas e biomantas, devem ser instaladas em até 48 horas para conter a contaminação. A empresa terá ainda prazo de dez dias para apresentar um plano de contingência. A empresa também está proibida de retomar obras ou atividades operacionais relacionadas a fertilizantes até obter autorização dos órgãos competentes. O magistrado determinou ainda a indisponibilidade de até R$ 5 milhões em recursos da empresa para garantir o cumprimento das medidas e a reparação integral dos danos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil por obrigação não atendida. Obrigações do poder público A decisão estabelece ainda que o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luís realizem, de forma conjunta, em até 48 horas, o cadastramento socioeconômico das famílias atingidas e iniciem o monitoramento epidemiológico da região. A Sema deverá emitir relatórios técnicos a cada 72 horas, enquanto o município terá prazo de sete dias úteis para apresentar laudos de potabilidade dos poços da área. Todos os documentos e registros produzidos a partir de janeiro de 2026 deverão ser preservados, e uma auditoria técnica independente deverá ser contratada em até 15 dias. O que diz a Sema A Secretaria de Meio Ambiente afirma que identificou a fonte da contaminação, acompanha a retirada do material poluído e fará nova vistoria nesta semana. Leia a nota na íntegra. "A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informa que vem adotando um conjunto de medidas em relação ao caso dos fertilizantes na Vila Maranhão. A primeira medida foi identificar a fonte da contaminação e garantir que esta fosse cessada. De forma paralela, a equipe da Sema realizou vistoria na área afetada para dimensionar os danos. Para tanto, além do levantamento visual, foram feitas coletas de água em vários pontos de acúmulo superficial e em poços residenciais. De imediato, foram emitidos autos de notificação e intimação em desfavor da empresa responsável, determinando uma série de ações mitigadoras e de recuperação, além de instruções para que a empresa retirasse as pessoas do local até a recuperação total da área, e providenciasse o fornecimento de abastecimento de água potável até a conclusão da análise laboratorial, prevista para esta segunda-feira (09). A equipe técnica da Secretaria está acompanhando a retirada e a destinação do material contaminado, bem como a recuperação da área pela empresa responsável pelo dano. No sábado (07), boa parte do material já havia sido retirada, sendo constatado pelos técnicos que o odor dos fertilizantes não estava mais ativo. As ações de monitoramento continuam e está prevista nova vistoria na terça-feira, dia 10."