cover
Tocando Agora:

Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial

Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial O professor de história, Pedro Santiago, de 30 anos, inovou ao usar j...

Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial
Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial (Foto: Reprodução)

Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial O professor de história, Pedro Santiago, de 30 anos, inovou ao usar jogos de videogame como ferramenta pedagógica para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial para alunos do ensino médio no Colégio Estadual Martins Borges, em Rio Verde, na região sudoeste de Goiás (veja acima). Com experiência de 10 anos em sala de aula, Pedro afirmou que a proposta de utilizar jogos durante as aulas surgiu da necessidade de aproximar o ensino de história das linguagens que os estudantes utilizam no dia a dia. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em entrevista ao g1, o professor contou que desenvolve essa metodologia de forma planejada, utilizando jogos ou recortes de jogos como ponto de partida para discussões, comparações com outras fontes e construção de argumentos. “Claro que é muito divertido, mas a ideia é trabalhar de maneira pedagógica, então uso diferentes jogos. Sempre que iniciamos um bimestre, eu gosto de começar o conteúdo a partir de um jogo, enquanto eu vou contextualizando os estudantes”, destacou o educador. Professor de história usa jogo de videogame para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial Arquivo pessoal/Pedro Santiago Entre os jogos utilizados estão Valiant Hearts: The Great War e Verdun, que proporcionam experiências e aventura e sobrevivência durante a guerra. De acordo com Pedro, a recepção dos alunos costuma ser bastante positiva. “Eles ficam mais engajados e participativos, trazem exemplos, levantam hipóteses e ajudam a ampliar as possibilidades da aula”, relatou. Ele destacou ainda que, muitas vezes, os estudantes conhecem o jogo melhor do que o próprio professor. “Quando a gente olha para o game com um objetivo pedagógico, eles começam a enxergar camadas que antes passavam despercebidas, como escolhas de narrativa, estereótipos, silêncios e pontos de vista”, explicou. Metodologia inovadora Alunos utilizam tecnologias na sala de aula, em Rio Verde Arquivo pessoal/Pedro Santiago O docente ressaltou que o foco não é tratar o jogo como se fosse o passado em si, mas como uma reconstrução histórica. “Para os estudantes, essa visão é muito importante e contribui significativamente para a compreensão do conteúdo histórico”, afirmou. Nas aulas, além de abordar os processos históricos representados nos jogos, ele também discute a intencionalidade dessas representações e promove contrapontos com livros didáticos. LEIA TAMBÉM: Professor abraça alunos há 27 anos na porta do Enem: ‘Uma palavra de carinho’ Xadrez Quilombola: conheça projeto desenvolvido em Goiás que está entre os 10 mais inovadores na educação Quase 80% das cidades em Goiás recebem selo de ouro por projetos de alfabetização Pedro reconhece que o uso de jogos em sala de aula envolve desafios técnicos e tecnológicos, realidade que nem sempre faz parte da formação docente ou da estrutura das escolas brasileiras. Ainda assim, como professor da rede pública estadual de Goiás, ele adaptou a metodologia à vivência dos alunos. “As aulas não são baseadas apenas em jogos; eles são utilizados de forma muito estratégica. Nesse momento, cativo e engajo meus estudantes e, depois, estabelecemos contrapontos com outras fontes históricas”, explicou. Para ele, o jogo pode ser compreendido como um objeto de pesquisa na história, desde que haja mediação pedagógica. “Cabe ao professor mediar para que isso tenha sentido pedagógico. Dessa maneira, podemos estimular uma visão mais crítica em nossos estudantes e uma leitura de objetos digitais mais complexa e historicizada”, concluiu. Jogos utilizados Pedro explicou que o Valiant Hearts: The Great War é ambientado no contexto da Primeira Guerra Mundial e acompanha a trajetória de soldados e civis em meio aos conflitos. “Inspirado em fatos e cartas reais da época, o jogo apresenta a realidade das trincheiras, os bombardeios e o impacto humano da guerra, valorizando mais a experiência histórica do que o combate em si”, disse. Durante uma aula ministrada em fevereiro de 2026, ele abordou o uso do gás mostarda — arma química empregada a partir de 1915 — responsável por causar queimaduras graves na pele, cegueira temporária e severos danos ao sistema respiratório, e que se tornou um dos principais símbolos da brutalidade da guerra de trincheiras. Outro jogo utilizado é o Verdun, usado também para retratar a Primeira Guerra Mundial, assim como o uso de novas tecnologias e sobrevivência dos soldados nas trincheiras. “Eu já utilizei trechos de Red Dead Redemption 2 para poder falar a respeito do Mito do Velho Oeste, mostrar o processo de industrialização que vai acontecendo e como diferentes histórias podem coexistir, contrapondo a ideia de que termina um momento histórico e se inicia outro”, relembrou. Jogos eletrônicos são usados em sala de aula, em Rio Verde Arquivo pessoal/Pedro Santiago 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás