Mais de 200 presos polÃticos fazem greve de fome na Venezuela contra exclusões na anistia
Familiares de presos polÃticos fazem vigÃlia em frente à prisão de El Rodeo I, em Guatire, na Venezuela, em 22 de fevereiro de 2026. Maryorin Mendez/AFP Mai...
Familiares de presos polÃticos fazem vigÃlia em frente à prisão de El Rodeo I, em Guatire, na Venezuela, em 22 de fevereiro de 2026. Maryorin Mendez/AFP Mais de 200 presos polÃticos na Venezuela declararam greve de fome, incluindo um militar argentino acusado de "terrorismo", em protesto por terem sido excluÃdos da recém-aprovada lei de anistia, informaram no domingo (22) familiares e os próprios detentos. ✅ Siga o canal de notÃcias internacionais do g1 no WhatsApp "Liberdade!", "que todos nós saiamos!", "Rodeo I em greve de fome", gritaram alguns presos polÃticos, segundo um correspondente da agência de notÃcias France Presse (AFP). Eles responderam assim aos parentes, que sobem todas as noites até uma pequena montanha de onde é possÃvel observar o pavilhão e gritam mensagens de incentivo. A greve de fome começou na noite de sexta-feira na prisão de El Rodeo, nos arredores de Caracas, enquanto outros prisioneiros recebiam liberdade e uma comissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) examinou os detentos no domingo. A comissão também conseguiu acesso a outras penitenciárias, como o temido Helicoide. Veja os vÃdeos que estão em alta no g1 Nem todos os detidos aderiram ao protesto, que segue outra greve de fome realizada por familiares na semana passada diante de outra prisão, para pedir agilidade em um processo de libertações antes da aprovação da anistia. O Parlamento aprovou a lei na quinta-feira passada. Trata-se de uma iniciativa da presidente interina Delcy RodrÃguez, que assumiu o poder após a captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. A lei exclui casos relacionados a temas militares, que são os mais frequentes entre os presos mantidos em El Rodeo I. Presos polÃticos do regime chavista estão sendo libertados aos poucos das prisões desde a deposição de Maduro. Na sexta-feira, 379 pessoas foram libertadas, o que elevou para 448 a quantidade de opositores soltos pelo governo de Delcy. No entanto, a ONG Foro Penal, que acompanha a situação dos presos polÃticos na Venezuela, afirmou no final de semana que ainda há cerca de 650 presos polÃticos atrás das grades no paÃs. 'Primeiro passo' A anistia não é automática, segundo a lei: os beneficiários devem comparecer ao tribunal responsável por seu processo e solicitar a aplicação do benefÃcio, que abrange fatos especÃficos ocorridos ao longo de 27 anos de chavismo. O presidente do Parlamento, Jorge RodrÃguez, informou no sábado que 1.500 presos polÃticos na Venezuela solicitaram sua liberdade por meio da anistia. Ele também explicou que 11 mil pessoas em liberdade condicional terão liberdade plena graças à nova norma. "É a primeira vez que nos deixam nos aproximar desse centro penitenciário", disse aos familiares Filippo Gatti, coordenador de Saúde do CICV para a Venezuela. "É um primeiro passo e eu acredito que estamos no caminho". Os médicos desconheciam o chamado à greve, segundo a conversa com as famÃlias do lado de fora de El Rodeo. Yalitza GarcÃa disse à AFP que seu genro, o gendarme argentino Nahuel AgustÃn Gallo, aderiu ao protesto. Ela afirma que recebe informações sobre ele por meio de outros familiares e de algum dos agentes penitenciários. Gallo foi detido em 8 de dezembro de 2024, acusado de terrorismo e conspiração. O governo afirmou que uma comissão parlamentar estudará os casos excluÃdos pela anistia e não descarta indultos por parte do Executivo. 'Saiu seu marido!' Um grupo de cinco pessoas foi recebido com aplausos ao sair da prisão. Levavam na mão seu documento de libertação. "Decreto de arquivamento do processo por extinção da ação penal", lê-se na ordem de libertação de Wilfredo GarcÃa, de 31 anos. Ele não tem clareza sobre o que aconteceu, apenas leu o documento e saiu. "Fiquei detido um ano e meio (...) pude sair por causa da lei de Anistia", disse este homem acusado de "terrorismo", incitação ao ódio e dano a uma instalação elétrica. "Olha, menina, saiu seu marido!", grita uma mulher ao celular em uma videochamada. "Amor, amor, acabei de sair... Não, não, calma", responde emocionado Robin Colina. Ele disse que ouviu, enquanto sua saÃda era concretizada, que na segunda-feira 350 presos deixariam El Rodeo. A ONG Foro Penal, dedicada à defesa de presos polÃticos, informou 23 libertações no domingo. As autoridades não se pronunciaram sobre as libertações nem sobre a greve de fome. As informações são conhecidas por meio de familiares dos presos que não aderiram ao protesto e que conseguiram entrar na visita de fim de semana. O Vente (Vamos, centro-direita), partido da vencedora do Prêmio Nobel da Paz MarÃa Corina Machado, informou a libertação de pelo menos sete de seus dirigentes. "Em breve nos abraçaremos em liberdade!", escreveu a lÃder opositora no X. Além dos sete membros do Vente, foi libertado Pedro Guanipa, irmão do aliado de Machado e ex-deputado Juan Pablo Guanipa. "Confiamos que esta nova etapa polÃtica que o paÃs vive abra as celas de todos os presos polÃticos. Continuaremos lutando para alcançar um paÃs onde a liberdade e a democracia sejam uma realidade", escreveu o dirigente no X.