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Irã anuncia exercícios militares com Rússia e China em meio a negociações nucleares com os EUA

Irã faz exercício militar no Estreito de Ormuz em meio a negociações nucleares com os EUA O Irã anunciou a realização de exercícios militares conjuntos ...

Irã anuncia exercícios militares com Rússia e China em meio a negociações nucleares com os EUA
Irã anuncia exercícios militares com Rússia e China em meio a negociações nucleares com os EUA (Foto: Reprodução)

Irã faz exercício militar no Estreito de Ormuz em meio a negociações nucleares com os EUA O Irã anunciou a realização de exercícios militares conjuntos com a Rússia e a China até o final do mês, segundo agências de notícias iranianas, em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos e negociações para limitar seu programa nuclear. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou nesta quarta-feira (18) que o Exército iraniano realizará exercícios navais em conjunto com forças russas no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico na quinta-feira. O governo da Rússia não se manifestou oficialmente sobre o assunto até a última atualização desta reportagem. “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (...) bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”, disse um comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, segundo a Fars. O anúncio dos exercícios militares conjuntos ocorrerão durante uma escalada de tensões entre o Irã e os Estados Unidos e negociações entre os dois países para limitar o programa nuclear iraniano. As tratativas foram motivadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. (Leia mais abaixo) Exercícios militares devem elevar ainda mais a tensão militar entre os EUA e Irã e seus aliados. Isso porque Trump posicionou uma ampla presença militar de navios de guerra e jatos de combate próximo ao território iraniano, em alcance de Teerã em um eventual ataque. Manobras no início do mês levaram a reações pontuais do Exército norte-americano presente no Golfo Pérsico. As manobras conjuntas Irã-Rússia ocorrerão também poucos dias após a Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar mais forte do regime do aiatolá Ali Khamenei, ter conduzido exercícios militares no Estreito de Ormuz. O estreito teve que ser parcialmente fechado na terça-feira por conta das manobras. (Veja no vídeo no início da reportagem) Irã divulga imagens de exercícios militares da Guarda Revolucionária Islâmica no Estreito de Ormuz em 17 de fevereiro de 2026. Wana via Reuters Segundo agências estatais iranianas, até o final de fevereiro, a China se junta a Irã e Rússia para novos exercícios militares no Oriente Médio. As manobras integrarão um programa chamado "Cinturão de Segurança Marítima", que visa aumentar a integração na segurança entre os três países e ocorre anualmente desde 2019. O assessor do Kremlin Nikolai Patrushev afirmou na terça-feira que a Rússia e a China enviaram navios de guerra para perto do Irã para participar dos exercícios militares. O governo chinês não se manifestou publicamente sobre os exercícios militares até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM: Khamenei diz que Trump não conseguirá derrubá-lo e ameaça afundar porta-aviões dos EUA Chanceler do Irã diz que negociações com os EUA avançaram e abriram caminho para acordo nuclear Irã fecha parcialmente o Estreito de Ormuz em meio a negociações nucleares com EUA Negociação nuclear e tensão militar Ali Khamenei e Donald Trump Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci O primeiro encontro para negociações nucleares entre EUA e Irã, no início do mês em Omã, teve "atmosfera muito positiva" e os países retomam as tratativas após consultas internas. O ministro das relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na terça-feira que houve avanços na segunda rodada de negociações com os EUA, e que o caminho para um acordo nuclear estaria aberto. Washington, no entanto, foi mais comedido e falou que ainda tem um longo caminho pela frente. As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira que Trump não conseguirá derrubar seu regime e ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está estacionado nas águas do Mar Arábico em alcance de um eventual ataque ao Irã. A principal autoridade nuclear iraniana afirmou que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse nesta semana que fazer um acordo com o Irã "será difícil" e chamou os aiatolás iranianos, que governam o país, de radicais. O Irã insiste que seu programa nuclear é meramente para fins pacíficos, e disse estar disposto se submeter a "inspeções" para provar isso. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, encontrou-se com o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, nesta segunda-feira. Ambos afirmaram que tiveram uma discussão "aprofundada" sobre questões nucleares.