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Ibama recomenda manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós

Dragagem do rio Tapajós entre Santarém e Itaituba preocupa populações indígenas e ribebrinhas (imagem ilustrativa) Dnit/Divulgação Nota técnica emitida ...

Ibama recomenda manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós
Ibama recomenda manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós (Foto: Reprodução)

Dragagem do rio Tapajós entre Santarém e Itaituba preocupa populações indígenas e ribebrinhas (imagem ilustrativa) Dnit/Divulgação Nota técnica emitida pela Gerência Regional do Ibama em Santarém, oeste do Pará, nesta quinta-feira (19), recomenda a manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós, até que seja realizado o estudo ambiental necessário, com participação dos órgãos ambientais competentes, das populações potencialmente afetadas, e, de forma destacada, do Ibama. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O órgão destaca sua atuação histórica no Programa Quelônios da Amazônia, especialmente no Tabuleiro do Monte Cristo, como um exemplo de política pública ambiental integrada, territorializada e orientada pela precaução. O Ibama fez uma análise técnico-ambiental e jurídica, da proposta de dragagem de uma série de trechos no decorrer de aproximadamente 250 km de hidrovia no Rio Tapajós, em razão da concessão estabelecida pelo Decreto nº 12.600/2024 e do edital de contratação lançado pelo Governo Federal. A proposta de dragagem do Rio Tapajós sem consulta às comunidades é alvo de um protesto de indígenas das regiões do Baixo, Médio e Alto Tapajós, em Santarém. O movimento começou no dia 22 de janeiro com bloqueio do acesso de veículos ao complexo portuário de Santarém, onde está instalado a terminal de grãos da Cargill. Segundo o Ibama, ainda que o processo tenha sido suspenso em fevereiro de 2026, após mobilização social e recomendações do Ministério Público Federal (MPF), os fundamentos técnicos e legais que levaram à contestação permanecem e devem ser consolidados como subsídio institucional à atuação do MPF e demais órgãos de controle e fiscalização. Indígenas protestam há um mês contra hidrovias e dragagem em rios amazônicos De acordo com a nota técnica do Ibama, a proposta de dragagem do Rio Tapajós, da forma como foi apresentada, avança sem que tenha sido realizada avaliação ambiental compatível com sua complexidade ecológica, sociocultural e jurídica, o que compromete a legitimidade e a segurança de todo o processo. O documento destaca que a ausência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) impede a identificação técnica dos riscos envolvidos inviabiliza a definição de condicionantes, e torna incerta até mesmo a definição da competência licenciadora adequada, conforme exige a Lei Complementar nº 140/2011. Para o Ibama, a recente suspensão do processo de contratação da obra de dragagem, anunciada pelo governo federal após mobilização de povos indígenas e organizações da sociedade civil, "reforça a necessidade urgente de evoluir o debate público para um patamar técnico e transparente". Impactos sobre a fauna aquática Obras como a dragagem de um rio estão listadas no rol das que precisam de licenciamento ambiental nos termos da Resolução CONAMA nº 237/1997. Embora os efeitos específicos variem conforme o contexto hidrológico, ecológico e social, há estudos que descrevem riscos associados à movimentação do leito fluvial e à alteração de regimes hidrossedimentológicos. A nota técnica alerta que, de forma geral, mexer o fundo do rio tende a provocar aumento da turbidez da água e da concentração de sedimentos em suspensão, afetando organismos, como crustáceos e peixes que dependem do substrato para alimentação, abrigo ou reprodução. Essas alterações, podem impactar processos ecológicos sensíveis, inclusive a sobrevivência de ovos e alevinos, especialmente em águas naturalmente mais claras. No caso do Rio Tapajós, a possibilidade de aumento repentino na concentração de sedimentos gera preocupações ambientais legítimas, como os efeitos sobre a pesca artesanal e os modos de vida de comunidades tradicionais ribeirinhas, que mantêm uma relação histórica e de dependência direta com o rio para fins de subsistência, segurança alimentar e reprodução sociocultural. Riscos ao Tabuleiro de Monte Cristo O Tabuleiro do Monte Cristo é uma área de reconhecida relevância ecológica para a reprodução de quelônios amazônicos, com destaque para a tartaruga-da-amazônia e a pitiú. A região é historicamente integrada às ações de monitoramento, proteção e manejo reprodutivo coordenadas pelo Programa Quelônios da Amazônia (PQA), sob responsabilidade do Ibama. Mapa da área de desova do Tabuleiro Monte Cristo na região do Tapajós Ibama/Divulgação Segundo o Ibama, a intensificação do tráfego fluvial por grandes embarcações e as alterações físicas no ambiente aquático e ribeirinho decorrentes de atividades de dragagem apresentam potencial para interferência negativa direta nos ciclos reprodutivos dos quelônios no tabuleiro. Conforme a nota técnica do Ibama, interferências como o ruído de uma obra de dragagem podem comprometer etapas críticas do ciclo de vida das espécies, incluindo: Migração e aglomeração dos reprodutores nas áreas de desova, Formação de bancos de areia propícios à postura dos ovos (assoalhamento), Incubação com condições necessárias de tranquilidade e estabilidade. O que diz o DNIT? No dia 6 de fevereiro, quando foi revogado pelo Governo Federal o edital de licitação da dragagem do Rio Tapajós, o DNIT informou por meio de nota, que identificou sete pontos críticos, que precisam ser dragrados no rio Tapajós e com base nesses dados técnicos, foram estabelecidos os trechos, volumes e métodos de dragagem. Disse ainda que realiza um relatório e um plano de controle ambiental, atendendo uma determinação da Semas. Ainda segundo a nota, o pedido da Semas prevê o mapeamento e a consulta às comunidades indígenas e tradicionais, processo que será conduzido durante o desenvolvimento dos estudos ambientais para o licenciamento. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas), por sua vez, informou que não há demanda protocolada no órgão para autorização de dragagem no rio Tapajós. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região