cover
Tocando Agora:

Governo do Rio pede mais prazo para enviar imagens de câmeras de megaoperação ao STF

'Muro do Bope': entenda estratégia da polícia em megaoperação mais letal do Rio de Janeiro O governo do Rio pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a amplia...

Governo do Rio pede mais prazo para enviar imagens de câmeras de megaoperação ao STF
Governo do Rio pede mais prazo para enviar imagens de câmeras de megaoperação ao STF (Foto: Reprodução)

'Muro do Bope': entenda estratégia da polícia em megaoperação mais letal do Rio de Janeiro O governo do Rio pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a ampliação do prazo para encaminhar as imagens registradas pelas câmeras capturadas durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, alegando a necessidade de mais tempo para reunir, organizar e analisar todo o material audiovisual. A ação aconteceu no fim de outubro e deixou mais de 120 mortos. "A determinação de envio de todas as câmeras e/ou imagens capturadas durante a Operação Contenção envolve elevado volume de dados audiovisuais, provenientes de diferentes órgãos estaduais, o que demanda procedimentos técnicos de consolidação, organização e verificação da integridade das informações", diz o documento. A solicitação de prazo de 20 dias úteis foi feita na sexta-feira (6) e assinada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, pelo procurador-geral do Estado, Renan Miguel Saad, e pelo procurador do Estado, Carlos da Costa e Silva. Segundo o Executivo estadual, além do volume de material, a natureza sensível dos registros exige a definição de uma solução adequada de tecnologia da informação para o armazenamento e o envio seguro das imagens à Diretoria-Geral da Polícia Federal, com garantia da integridade dos arquivos e da preservação da cadeia de custódia. As imagens foram solicitadas pelo ministro Alexandre de Moraes, na quarta-feira passada (4), para que o material seja submetido à perícia, com transcrição e elaboração de laudo técnico, antes de ser encaminhado ao STF. A decisão foi publicada no âmbito da ADPF 635, conhecida como "ADPF das favelas", da qual Moraes é relator, desde a saída de Barroso. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Estágio do plano de recuperação territorial Alexandre de Moraes Jornal Nacional/ Reprodução No despacho, Moraes também determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá informar ao STF o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial, apresentado pelo Governo do RJ em 22 de dezembro de 2025. O ministro destacou que o plano foi elaborado em cumprimento a uma decisão anterior da Corte e que, em 6 de janeiro de 2026, a Defensoria Pública do Estado manifestou concordância com o conteúdo do documento. Esclarecimentos do MP O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também foi intimado a prestar informações. O órgão deverá esclarecer qual foi sua participação em todas as fases da operação policial, especialmente no que diz respeito ao controle externo da atividade policial. O STF quer saber por que essa atribuição foi exercida pelo Grupo de Atuação especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e não pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública. O Gaesp foi criado em fevereiro de 2025 com a função específica de acompanhar e fiscalizar o cumprimento de decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do próprio Supremo, como a ADPF 635. Além disso, o MP deverá apresentar ao STF o protocolo de atuação adotado para cumprir a decisão da ADPF, informando quais membros foram responsáveis pelo controle externo, quais atividades foram realizadas e que medidas foram adotadas em relação a outros promotores que atuaram nas fases preparatórias ou na investigação. Câmeras revelaram crimes de policiais Imagens de COPs levam à prisão cinco PMs da megaoperacao no Rio de Janeiro Reprodução/TV Globo Seis agentes que participaram da ação foram presos depois de terem sido flagrados pelas próprias câmeras corporais cometendo crimes. O Fantástico mostrou, em novembro, como agentes do Batalhão de Choque furtaram e esconderam armas e até peças de um carro durante a megaoperação. Cinco agentes foram presos pela Corregedoria da PM por esses crimes. Eles são o subtenente Marcelo Luiz do Amaral e os sargentos Diogo da Silva Souza, Eduardo de Oliveira Coutinho, Charles William Gomes dos Santos e Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira. O 2° sargento Vilson dos Santos Martins também foi preso preventivamente por um fruto cometido durante a ação. Ele teria roubado um celular que estava carregando, sobre o sofá de uma residência na Penha. O g1 revelou, em janeiro, imagens que mostram o agente pegando o aparelho, logo depois de tranquilizar a dona da casa. "A gente não vai mexer, não", disse orientando a mulher a deixar o recinto. Militares orientam moradora a deixar sala, onde celular estava carregando Reprodução Só 23% do efetivo usou câmeras O governo do Rio já tinha informado ao STF que 569 câmeras corporais, sendo 62 da Polícia Civil e 507 da Polícia Militar, foram utilizadas na megaoperação realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. O volume é relativamente pequeno se comparado aos 2,5 mil policiais mobilizados para atuar contra o Comando Vermelho naquele dia. Ou seja, apenas 23% do efetivo estava equipado com câmera corporal na megaoperação. Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo Relembre a megaoperação A Operação Contenção foi resultado de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que levou à expedição de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão — 70 no Rio de Janeiro e 30 no Pará, contra integrantes do Comando Vermelho. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e terminou com 121 mortos, entre eles quatro policiais. A ação das forças de segurança também resultou na prisão de 113 pessoas. Foram apreendidas 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver. O volume de armamento apreendido é considerado um dos maiores já registrados em uma única ação policial no estado, segundo as autoridades. A operação provocou ainda uma série de retaliações e bloqueios armados em importantes vias da cidade, como a Linha Amarela e a Grajaú–Jacarepaguá. O transporte público foi afetado em diversas regiões, e o município chegou a entrar em estágio operacional 2.