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Credenciais usadas em esquema que inseriu mandados de prisão falsos no sistema do CNJ eram vendidas na internet, diz polícia

Dados vazados do TJ são usados para adulterar 102 processos e inserir mandados de prisão As credenciais usadas no esquema que inseriu mandados de prisão fals...

Credenciais usadas em esquema que inseriu mandados de prisão falsos no sistema do CNJ eram vendidas na internet, diz polícia
Credenciais usadas em esquema que inseriu mandados de prisão falsos no sistema do CNJ eram vendidas na internet, diz polícia (Foto: Reprodução)

Dados vazados do TJ são usados para adulterar 102 processos e inserir mandados de prisão As credenciais usadas no esquema que inseriu mandados de prisão falsos no banco de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e criaram processos falsos no sistema do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) eram vendidas na internet, segundo a delegada Sabrina Leles. Os suspeitos tinham acesso a logins de acesso de duas servidoras do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) para alterar, excluir e adicionar dados fraudulentos. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, portanto, o g1 não conseguiu entrar em contato para solicitar um posicionamento. Em nota, o CNJ informou que identificou alteração indevida em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões em janeiro deste ano. Disse ainda que uma investigação indicou que as ações foram realizadas com credenciais de acesso comprometidas, mas que não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ e que alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas (leia a nota na íntegra ao fim do texto). ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em nota, o TJ-GO informou que teve atuação direta na apuração de fraudes e que um relatório deu início às investigações criminais. Disse ainda que mantém cooperação permanente com as forças de segurança envolvidas (leia a nota na íntegra ao fim do texto). Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (5) após a operação, os investigadores explicaram como esquema funciona, desde a subtração das credenciais dos servidores, até a venda desses acessos. Segundo a polícia, não há indício do envolvimento dos servidores. “Através da obtenção dessas credenciais, eles montam pacotes de dados com essas credenciais e comercializam em plataformas de mensageria. Ali existem valores altos que são comercializados para essas possibilidades de baixa, de cumprimento fraudulento de mandados de prisão, que tentam beneficiar integrantes de facções altamente perigosas”, explicou a delegada Sabina Leles. Polícia faz operação contra suspeitos de fraudar mandados de prisão PCDF/Reprodução LEIA TAMBÉM: MANDADOS DE PRISÃO: Operação combate fraude que inseriu mandados de prisão falsos no TJ e CNJ, incluindo nomes de Lula e Alexandre de Moraes VIDA DE LUXO: Adolescente que fez mandados de prisão falsos contra Lula e Moraes leva vida de luxo e estava fora da escola há dois anos, diz polícia Entenda fraude em concurso e desvios da educação em caso que investiga delegado e presidente da Câmara de Rio Verde No cumprimento de mandados da operação, a polícia realizou busca e apreensão na casa de um dos suspeitos. De acordo com a polícia, um adolescente de 15 anos é o responsável pela inserção dos mandados falsos contra o presidente Luíz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo os delegados, a investigação continua para esclarecer a fundo como funcionava o esquema. Ainda não é possível dizer se os suspeitos vendiam somente as credenciais ou também os serviços se alteração de dados no sistema. Mandados falsos contra Lula e Moraes A operação foi realizada nesta quinta-feira (5) e cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Goiás, nas cidades de Goiânia e Iporá, e no Distrito Federal. Segundo a polícia, ainda não é possível dizer qual o número total de investigados, pois o grupo completo ainda não foi identificado. Em razão da grande repercussão dos falsos mandados contra autoridades, a polícia destacou que o menor identificado como o responsável por esta ação fraudulenta é um dos alvos da operação e vivia uma vida luxuosa. Entre os alvos dos fraudadores estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes Crédito: Gustavo Moreno/STF e Luiz Silveira/STF “Pelo que verificamos, ele é menor e está usufruindo de uma vida de luxo, com grande trânsito financeiro. [...] Ele está fora da rede de educação há dois anos e isso será verificado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário em relação a responsabilidade reflexa que os pais talvez tenham em relação a essas atitudes delituosas”, explicou a delegada Sabrina Leles. Entretanto, ela deixou claro que o adolescente não segue nenhum tipo de ordem de um possível superior que determinaria essas ações e que ele atua por ação própria. Como funciona o esquema? Segundo a polícia, a primeira etapa do esquema é a subtração das credenciais de servidores do sistema de Justiça. Até o momento, a investigação identificou o uso indevido de duas credenciais de servidoras de TJ-GO e uma credencial de um policial penal de Minas Gerais, todas com acesso ao sistema do CNJ. Após a subtração dos acessos, que funcionam como logins de email, os suspeitos acessavam o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (Bnmp), que consolida dados sobre pessoas presas, procuradas e submetidas a medidas penais. Em Goiás, a investigação identificou que foram feitas 102 alterações, inserções e exclusões em mandados judiciais com apenas uma das credenciais, que tinham um nível de acesso mais elevado. Com a credencial da outra servidora, foram inseridos cinco processos no sistema local do Tribunal de Justiça de Goiás, o Projudi. Apesar das alterações irregulares, que foram identificadas em janeiro, a polícia afirmou que a inteligência do CNJ identificou imediatamente as irregularidades. De acordo com a delegada Sabrina Leles, não houve benefícios ou prejuízo em razão das fraudes. “Aqueles mandados que fraudulentamente foram inseridos foram cancelados, a exemplo dos dois mandados em relação ao ministro do STF e ao Presidente da República. Os demais também foram excluídos e os que haviam sido alterados foram corrigidos”, esclareceu. Nota do CNJ O Conselho Nacional de Justiça tomou conhecimento do ocorrido em janeiro deste ano e identificou alteração indevida em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). A alteração consistiu na substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras. A apuração da Divisão de Segurança da Informação do Conselho indicou que as ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema. Não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ. A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos. Nota do TJ-GO O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás informa que teve atuação direta na apuração das fraudes investigadas na Operação Lex Data, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás. Assim que tomou conhecimento da subtração e do uso indevido de credenciais digitais de duas servidoras do Judiciário, a Presidência e a Corregedoria-Geral da Justiça determinaram a instauração de investigação preliminar no âmbito do próprio Tribunal. A apuração foi conduzida pela Divisão de Inteligência Institucional do TJGO, que identificou indícios de acessos desautorizados, criação de processos fictícios e inserção de dados falsos em sistemas judiciais. As informações técnicas apuradas foram formalizadas em relatório e imediatamente compartilhadas com as autoridades policiais, o que deu início às investigações criminais e possibilitou o avanço das diligências. O TJGO também atuou de forma integrada com o Conselho Nacional de Justiça e com unidades de inteligência de outros tribunais, além de manter cooperação permanente com as forças de segurança envolvidas. O Tribunal segue colaborando com as investigações e informa que adotou todas as providências administrativas e tecnológicas cabíveis. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás