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Cometa 3I/ATLAS: novas imagens revelam do que ele é feito e ajudam a explicar por que não é uma nave alienígena

3I/ATLAS: Cometa ou nave alienígena? A NASA, a agência espacial norte-americana, revelou novas imagens e análises do cometa interestelar 3I/ATLAS que mostram...


Cometa 3I/ATLAS: novas imagens revelam do que ele é feito e ajudam a explicar por que não é uma nave alienígena
Cometa 3I/ATLAS: novas imagens revelam do que ele é feito e ajudam a explicar por que não é uma nave alienígena (Foto: Reprodução)

3I/ATLAS: Cometa ou nave alienígena? A NASA, a agência espacial norte-americana, revelou novas imagens e análises do cometa interestelar 3I/ATLAS que mostram, em detalhes, a composição da nuvem de gás e poeira que envolve o objeto. As observações foram feitas pelo telescópio espacial SPHEREx, que conseguiu identificar a presença de água, poeira, dióxido de carbono e moléculas orgânicas no material liberado pelo cometa. Na Terra, compostos orgânicos semelhantes aos detectados no 3I/ATLAS fazem parte da base da vida, mas sua formação não depende necessariamente de processos biológicos. Essa mistura de gases e partículas forma a chamada coma, a nuvem que envolve o cometa e surge quando o gelo do núcleo aquece e começa a se transformar em gás à medida que o objeto se aproxima do Sol. Parte desse gelo passa diretamente do estado sólido para o gasoso, arrastando partículas de poeira para o espaço. Esse processo forma um envoltório que pode se estender por milhares de quilômetros e que, em muitos casos, é o que torna o cometa visível. ☄️ ENTENDA: A aparência mais ativa do cometa é típica quando ele se aproxima do Sol. Bolsões de gás presos no núcleo congelado do corpo celeste se rompem com o aquecimento e liberam jatos que empurram poeira para o espaço. É esse processo que alimenta o crescimento das caudas. O SPHEREx analisa a luz infravermelha emitida por esse material. Em vez de registrar apenas uma imagem comum, o telescópio separa a luz em mais de cem faixas diferentes, o que permite identificar substâncias específicas. O método funciona de forma semelhante a um exame laboratorial: cada material deixa uma espécie de “assinatura” na luz, que pode ser reconhecida pelos instrumentos. As imagens divulgadas pela agência mostram o resultado dessa análise em painéis separados e indicam as regiões onde se concentram diferentes tipos de material na coma, a nuvem de gás e poeira que envolve o cometa. Esse tipo de observação ajuda os cientistas a identificar do que o cometa é feito e a entender como esses compostos se transformam quando são aquecidos pela radiação solar. Imagem do telescópio espacial SPHEREx mostra a nuvem que envolve o cometa interestelar 3I/ATLAS, com destaque para poeira, água, moléculas orgânicas e dióxido de carbono. NASA/JPL-Caltech O que é o cometa? O 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025 por um telescópio do sistema ATLAS, no Chile. Desde então, passou a ser acompanhado por observatórios em terra e no espaço. A trajetória e a velocidade indicam que ele não se originou no Sistema Solar, mas em outro sistema estelar, e está apenas de passagem antes de seguir novamente para o espaço interestelar. Esse fato faz do 3I/ATLAS um objeto raro. Até hoje, apenas três visitantes desse tipo foram identificados pelos astrônomos. Esses corpos são considerados importantes porque preservam materiais praticamente inalterados desde a época em que se formaram. Por isso, funcionam como uma espécie de “cápsula do tempo” natural, que guarda informações sobre as condições existentes em outros sistemas estelares bilhões de anos atrás. O cometa 3I/ATLAS cruza um campo denso de estrelas em registro feito pelo instrumento GMOS no telescópio Gemini Sul, no Chile. Na imagem, o cometa permanece fixo enquanto as estrelas viram rastros coloridos devido às exposições em diferentes filtros. Gemini Observatory/NSF NOIRLab O objeto também ganhou atenção fora da comunidade científica depois que surgiram especulações nas redes sociais sobre uma possível origem artificial. Para os cientistas, essa interpretação não se sustenta. A NASA também descartou essa hipótese e afirmou que todas as evidências indicam um fenômeno natural. “O objeto 3I/ATLAS é um cometa — sua aparência, comportamento e todas as evidências científicas apontam nessa direção”, afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da agência, ao comentar os rumores. Segundo o astrônomo Cássio Barbosa, todas as emissões do cometa têm explicação conhecida. “Essas emissões vêm de radicais hidroxila, formados quando a radiação ultravioleta do Sol quebra moléculas de água do cometa. Isso é uma assinatura química natural”, afirma. O fenômeno, comum em corpos gelados, já foi usado para identificar água em asteroides e na própria Lua. Cometa interestelar 3I/ATLAS registrado em 11 de novembro de 2025, com a cauda já mais longa e definida. The Virtual Telescope Project/Gianluca Masi A repercussão também aumentou após o pesquisador Avi Loeb, da Universidade Harvard, sugerir que o 3I/ATLAS poderia ter origem artificial, a mesma hipótese levantada por ele sobre ʻOumuamua, em 2017, um corpo menor interstelar que também passou pelo Sistema Solar. Barbosa discorda: “A comunidade científica considera essa hipótese a mais improvável. Não há nada nas evidências que sustente isso.” Para ele, o tema costuma ganhar força nas redes por causa do apelo midiático. “É uma forma de gerar cliques.” Por sua trajetória e velocidade, astrônomos acreditam que o 3I/ATLAS também possa ser até 3 bilhões de anos mais antigo que o Sol, o que o torna uma relíquia da formação de outros sistemas planetários. Diagrama mostra a trajetória do cometa interestelar 3I/ATLAS pelo Sistema Solar. NASA/JPL-Caltech LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'