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Amiga diz que mar estava calmo antes de fundador do PT morrer afogado, em Ubatuba: 'uma tragédia'

José Alvaro Moisés morreu afogado no Litoral Norte de SP Reprodução/TV Vanguarda/Arquivo A jornalista Renée Amazonas Castelo Branco, que era amiga de José...

Amiga diz que mar estava calmo antes de fundador do PT morrer afogado, em Ubatuba: 'uma tragédia'
Amiga diz que mar estava calmo antes de fundador do PT morrer afogado, em Ubatuba: 'uma tragédia' (Foto: Reprodução)

José Alvaro Moisés morreu afogado no Litoral Norte de SP Reprodução/TV Vanguarda/Arquivo A jornalista Renée Amazonas Castelo Branco, que era amiga de José Álvaro Moisés, contou em entrevista ao g1 como foram os últimos momentos ao lado do professor aposentado antes dele morrer afogado no Litoral Norte de SP. Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), José Álvaro Moisés morreu afogado na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, na tarde desta sexta-feira (13) - leia mais abaixo. De acordo com Renée, ela, José e alguns amigos tinham decidido ver o pôr do sol na praia e o mar estava tranquilo. Ela conta que perdeu de vista o amigo por apenas alguns instantes e, em seguida, descobriu o afogamento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp “Foi uma história estranha, que nem eu entendo direito. Viemos para a casa de uma amiga em comum. Estudamos juntos na faculdade, na USP. Estávamos aqui desde quinta-feira. O filho dele trouxe o Moisés, e eu cheguei na sexta. Resolvemos ir até a praia para ver o fim do dia. Fomos eu, a Margarida — nossa colega —, o filho dela e o Moisés. Chegamos, colocamos nossas cadeiras na sombra. O mar tinha muitas ondas, mas eram ondas bem baixinhas”, recordou Renée. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Entramos na água, que estava entre o joelho e a coxa. A Margarida tem problema no joelho e já tem 86 anos, então o Nando estava preocupado com ela. Ele saiu da água, mas nós continuamos brincando ali, na parte rasa. Depois, a Margarida pediu para sair, e eu fui com ela. O Moisés ficou na beira, naquela parte bem baixinha. Quando percebemos, começamos a perguntar: ‘Cadê o Moisés?’. Olhamos para o mar e não vimos mais ele”, narrou a amiga. Na sequência, ao perceber que o José Álvaro Moisés não estava por perto, Renée disse acreditar que o amigo havia saído para dar uma caminhada, mas não conseguiu encontrá-lo, e então soube do afogamento pelo relato de outros banhistas. “Falei que ia dar uma volta pela praia, porque ele gostava de caminhar. Achei que poderia encontrá-lo andando por ali. A Margarida ficou na cadeira. Andei, andei, e não achava. Enquanto isso, ela foi até a beira da praia, aflita. Um senhor perguntou se ela estava procurando alguém e disse que tinham acabado de tirar uma pessoa do mar. Fizeram respiração boca a boca, e o Samu levou para a Santa Casa”, disse. “Ele foi encontrado duas quadras de onde estávamos, puxado pela correnteza. É tudo o que a gente sabe. Na Santa Casa, não o encontramos. Ele voltaria para São Paulo na segunda-feira. Estava muito ativo, muito envolvido com o trabalho. Naquele mesmo dia, tinha recebido documentos para ler e se preparar. Trabalhava muito, participava de seminários, dos institutos avançados da USP. Continuava falando no rádio”, lamentou Renée. Ainda segundo o relato da amiga, um laudo do Instituto Médico Legal confirmou que a causa da morte foi afogamento. Ela diz não entender como isso aconteceu, já que o mar estava manso. “Saiu o laudo: afogamento. É inacreditável, porque as ondas eram bem baixinhas. Não consigo acreditar. Fico com uma sensação horrível, de que talvez pudesse ter evitado. Foi uma tragédia. Mas ele estava com amigos, não estava sozinho. Morava sozinho em São Paulo, mas era muito ativo, sempre entre pessoas queridas”, finalizou. Segundo a família, o velório deve ser realizado na manhã deste domingo (15), das 8h às 11h, no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Após a cerimônia, o corpo será cremado. O Partido dos Trabalhadores lamentou a morte de José em nota e destacou o papel que o professor teve na política nacional e na luta por democracia. Confira: "O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente o falecimento do cientista político José Álvaro Moisés, aos 81 anos. Professor da Universidade de São Paulo (USP) e fundador do PT em 1980, José Álvaro Moisés teve papel relevante no debate público brasileiro e na consolidação da ciência política como campo de reflexão crítica sobre a democracia, as instituições e a participação popular. Sua trajetória intelectual esteve marcada pelo compromisso com o estudo das instituições democráticas e pelo acompanhamento atento da vida política nacional. Moisés sempre se colocou no campo do debate democrático, contribuindo para o pluralismo de ideias que fortalece a sociedade brasileira. Neste momento de pesar, o PT se solidariza com familiares, amigos, colegas da Universidade de São Paulo e com toda a comunidade acadêmica". Em nota, a USP lamentou a morte do professor e destacou o legado deixado por ele. Veja a nota completa: "É com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento do professor José Álvaro Moisés, que tão enorme legado deixa ao Departamento de Ciência Política da USP, à FFLCH, e à ciência política brasileira em geral. Moisés, como lhe conhecíamos, mantinha uma atividade intelectual prolixa e engajada, e com frequência recebíamos suas notícias sobre a organização de seminários, e suas reflexões sobre o futuro da democracia brasileira, direitos humanos e cultura política, áreas nas quais dirigia fóruns como o de Formulação dos Direitos e o Fórum da Democracia. Ele foi fundamental na organização do DCP-USP nos anos oitenta, da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e da International Political Science Association. (IPSA). Moisés se formou em 1970 nas primeiras turmas do Curso de Graduação em Ciências Sociais pela USP, e depois realizou seu mestrado em Política e Governo pela Universidade de Essex (1972), obtendo seu doutorado em Ciência Política pela USP (1978), sob a orientação do professor Francisco Weffort. Moisés era um incansável construtor de instituições: foi fundador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, e foi também o primeiro coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH/USP (2004/2006). E como professor Sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, coordenava, com grande dinamismo, o Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia. Moisés também foi Presidente do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea CEDEC (1987-1991), e também Secretário de Apoio à Cultura (1995-1998) e Secretário de Audiovisual (1999-2002) do Ministério da Cultura Um dos fundadores dos Estudos da Cultura Política no país, o Moisés era um apaixonado da democracia brasileira a qual dedicou todas suas reflexões e esforço intelectual nas últimas três décadas legando obras como “Crises da Democracia: o Papel do Congresso, dos deputados e dos partidos”, “Bulding democracies. Challenges, crises and response to rule of law, Access to justice and political representation; “A desconfiança política e os seus Impactos na qualidade da democracia; “Democracia e desconfiança. Por que os cidadãos desconfiam das Instituições públicas." Moisés deixa um vácuo pessoal, intelectual e institucional difícil de preencher. Toda nossa solidariedade à família, amigos e colegas", diz a nota. José Álvaro Moisés GloboNews Morte por afogamento O professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores), José Alvaro Moisés, de 81 anos, morreu afogado na praia de Itamambuca, em Ubatuba, nesta sexta-feira (13). A identidade da vítima foi confirmada na manhã deste sábado (14) pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e pela Polícia Civil. De acordo com o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental. Consta no documento que uma amiga de José Álvaro relatou à Polícia Civil que estava na praia com o professor aposentado e outros amigos na tarde de sexta-feira (13). Segundo o registro, o grupo chegou ao local por volta das 17h30. Em determinado momento, os amigos perceberam a ausência do professor. Pouco depois, foram informados de que uma pessoa havia se afogado e sido socorrida por uma unidade do Samu. Ainda segundo o relato da amiga no boletim de ocorrência, ao buscarem informações, os amigos se dirigiram a uma funerária da cidade, onde constataram que a vítima era José Álvaro Moisés. O corpo foi reconhecido. Ao g1, o GBMar informou que guarda-vidas foram acionados por banhistas, por volta das 17h40, para atender um homem de 81 anos que foi encontrado inconsciente na faixa de areia. Ainda segundo o GBMar, quatro guarda-vidas e dois guarda-vidas temporários atuaram na ocorrência, com apoio de viaturas de resgate e suporte médico, mas o homem não resistiu. O corpo foi encaminhado aos serviços funerários e chegou na manhã deste sábado (14) ao Instituto Médico Legal de Caraguatatuba, onde passou por exames de necropsia. Nas redes sociais, a Associação Brasileira de Ciência Política lamentou a morte do professor. "Sua trajetória acadêmica, marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública, deixa um legado incontornável para a área e para gerações de pesquisadoras e pesquisadores. Neste momento de tristeza, a ABCP manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos(as), colegas e estudantes", disse a associação em nota. Morre professor da USP José Álvaro Moisés Reprodução/X Quem era José Álvaro Moisés era uma das referências acadêmicas na área de democracia e instituições políticas. Professor titular da USP, foi membro do International Social Sciences Council, vinculado à UNESCO, diretor do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da universidade, editor do blog Qualidade da Democracia e coordenador acadêmico do projeto Corrupteca. O professor também foi secretário do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 80. Na época, quando o partido estava começando os trabalhos políticos, Moisés chegou a participar da elaboração de uma cartilha do PT que explicava as bases das crenças do partido, além de discutir a Assembleia Nacional Constituinte - movimento que fez parte do processo de redemocratização nacional após a Ditadura. José também colaborava com jornais e revistas nacionais e era autor de diversos livros de análise política. Nos últimos anos, o cientista político adotou uma postura crítica em relação aos governos do PT. Em entrevistas, o professor aposentado disse que foi um dos fundadores do PT e que atuou no partido por cerca de 10 anos. O Partido dos Trabalhadores foi procurado para comentar e aguardamos retorno. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina